quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Palavras

"Palavras são, na minha nada humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia. Capazes de formar grandes sofrimentos e também de remediá-los." 
Professor Albus Percival Wulfric Brian Dumbledore
Harry Potter e as Relíquias da Morte

                 Interessante as palavras. Impressionante como podem se moldar e expor nossos sentimentos, como água em um recipiente; pura física. Separadas, sem sentido, mas quando se juntam podem nos proporcionar sensações distintas. Agora, curiosa é a interpretação do homem.
                A internet é um perigo! Você está de um lado, fulano está de outro, cada um se expressa do jeito que bem lhe entender, assim como sua interpretação sobre aquilo. Às vezes uma palavra, no lugar errado e no momento errado, pode levar o outro a lugares psicodélicos de sua consciência. E é nesse momento quando se está por um fio, tudo parece como uma tesoura para cortá-lo.
                Mas sempre irão existir aquelas que farão tudo voltar aos trilhos. Aquelas que te furtam um sorriso, quiçá uma lágrima de alegria. Aquelas que remedeiam um sofrimento que você vem trazendo calado, causado por uma interpretação do que se lê, por exemplo. Aquelas que tiram de suas costas um peso e sussurram em seu ouvido “nada mudou”.

domingo, 29 de maio de 2011

Turning Tables

Adele! Sim, aquela cantora britânica, incrivelmente talentosa; lembro-me do dia que me apresentaram ela, digo, comentaram sobre e mandaram ouvir as músicas. Ouvi. Que voz! Fiquei assustado como tão profundas as letras de suas músicas são. Elas são baseadas no final do seu próprio relacionamento e, sabe, me fazem lembrar de você; não só por conta de se tratar de um final de relacionamento, mas eu nos via em muitas de suas músicas. 

Muitas vezes quando lembrava de você, eu parava para escutar algumas músicas. Cantava junto, imaginando você em minha frente, como se eu estivesse cantando para você, vomitando toda aquela emoção que a música transmitia na sua cara. Mas você não estava em minha frente, não é mesmo? Sobrava para o espelho, travesseiro, até mesmo para a própria tela do meu computador. Mas será que você não sentia nem um pouquinho dessa dor?

Hoje resolvi editar umas fotos e fui postar uma delas; fui atrás de uma letra de Adele para fazer parte da foto e fiquei perdido. Já tinha percebido que estava perdido há algum tempo, mas não tinha entendido até então. Para quem eu estava cantando ultimamente? Para quem eu gritava o sofrimento das letras das músicas mais melancólicas que ouvia nos últimos dias? Digo, era para ser você, mas, de alguma forma, não sentia isso mais! Esse sufoco, essa sensação penosa de não te ter parecia não existir. Como se eu tivesse tomado um analgésico para dor de amor.

Não sei como será quando eu te ver novamente, quando eu deitar em sua cama e dormir como seu amigo, quando você estiver beijando outra boca, quando estiver chamando ela de “meu amor”. Mas eu sei que vou aproveitar o agora enquanto você não pode me machucar e vou viver e vou respirar livre e vou, porque não, amar. Você não morreu para mim, não, definitivamente não, mas EU precisava viver e, cá entre nós, demorou, não?

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Toy Story

Toy Story 3: Andy e seus brinquedos
Brinquedos que têm vida própria, quando humanos não estão olhando, e são felizes em proporcionar alegria aos seus donos, é o ingrediente principal dessa historia dividida em três filmes. No último filme da série, concorrendo ao Oscars, a trama central está focada na ida do dono dos brinquedinhos à Universidade. Ele já crescera e não brinca com os mesmos e ficam largados, esquecidos e então sua mãe quer doá-los uma creche; Andy é pego em uma situação na qual ele tem que abrir mão daqueles que sempre o proporcionaram momentos divertidos, companheiros de aventuras imaginárias, amigos de plástico. Mas, como abrir mão? Certas coisas são difíceis de serem largadas, deixar para trás.
Poderia fazer como Andy no início do filme, não querer doá-los, colocar numa sacola e por no sótão, sempre seriam seus, mas ai os brinquedos entrariam em depressão. A vida deles é proporcionar momentos de alegrias ao seu dono, imagine ficar preso numa caixa, inúteis. Uma vez doados, eles poderia proporcionar felicidades para outras crianças, eles estariam felizes, certo? Não, de certo modo. Os brinquedos são leais aos seus donos, eles não estariam completos, provavelmente pensariam que era uma traição deles para com o dono.
Eu tive esse ônibus de brinquedo, depois de um tempo parei de brincar com ele, meu primo o adorava, eu morria de ciúmes, minha mãe quis que eu desse a ele, evitei o máximo possível, mas no fim acabou nas mãos dele. O ciúme me consumia, vê meu favorito na mão de outra pessoa, sendo usado por outra pessoa, amado por outra pessoa, me machucava.  Mas eu consegui dá-lo, superei. Coisa que muitas vezes não conseguimos fazer em vários momentos de nossa vida. Abrir mão de amigos, amores, momentos. O que é totalmente justificável, afinal, as vezes não conseguimos abrir mão de um objeto de plástico que, para nós, se apresentam como inanimados, imagina algo mais consistente, mais importante.
Nessas horas uma parte de você quer se permitir, mas a outra fica indecisa, como se fossem dois anjinhos em cada lado, um dizendo “vai em frente” e o outro “e se...”, ai tudo ‘fode’. E se seguir em frente e não ser o certo? E se você escolher uma rua, sendo outra que levava para o seu destino? E se você não se der bem nesse outro curso quando tudo ia bem no outro? E se você esperar e o tempo simplesmente passar? E se você abrir mão de um amor e não o ter mais, sendo que ainda existia a chance de dá tudo certo?
Odeio “e se...”. Mas como vi em um filme: "do que adianta viver a vida sabendo o dia que vai morrer? Não teria graça; você acabaria tentando fazer de tudo para tá preparado quando o momento chegar ou ficaria em eterna depressão". Então por mais que eu te pergunte as respostas dessas perguntas, qual seria a graça de ouvir? Então me cabe viver, tentar me permitir, errar, acertar, seguir em frente, superar, colocar na cabeça que passado muitas vezes devem ficar lá no passado. Não adianta deixar o brinquedo ali empoeirado, outras crianças querem brincar, só preciso me certificar de estar o passando para alguém que tenha o mesmo cuidado que tive, o deixe nas mesmas condições que deixei, o ame da mesma maneira que amei.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

The Voyage of the Dawn Treader

          Quanto tempo não beijava na boca, não sentia o gosto de outra pessoa, o calor de outra pessoa. Tive que conferir a Viagem do Peregrino da Alvorada mais uma vez para poder me sentir vivo novamente. Estava precisando conhecer outras pessoas, outras línguas, outras histórias.

To defeat the darkness out there, you must defeat the darkness inside yourself.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Friendship

E existe esse menino popular, adora fazer amizades, conversa com todo mundo, "se dá bem com todo mundo", mas no fundo ele é sozinho ou está no grupo errado, não se sabe. Vivia trancado em casa de dia, mamãe deixava a ordem com a tia: "NADA DE RUA!". Vivia pendurado nas grades, os transeuntes pensavam até que era torturado em casa, descia de lá a base de chineladas e gritos "pare-de-gri-tar". Quando finalmente saia, não podia escolher seu grupo de amigos de certa forma. Só podia brincar com o pessoal da rua, nas vistas da mãe, ela precisava controlar as amizades, não queria que o filho virasse um trombadinha. Para sorte, ou azar dele, das nove crianças da rua, cinco eram meninas, todas elas nas casas que circundavam a dele, filhas do pessoal que conviviam em harmonia na rua. Os outros três meninos só um participava de seu círculo de amizades, esse que morava ao lado de sua casa; os outros dois meninos os pais não eram ativos no dia da rua, talvez por morarem na esquina, esses nunca poderiam brincar com ele, não tinha permissão da mãe. Ainda dizem que sexto sentido de mãe não funciona, mas acontece que esses dois meninos que moravam na esquina da rua viraram trombadinhas. Esse único e primeiro amigo homem que o menino popular teve era arredio, seus pais saiam para trabalhar e ele ficava sozinho em casa. Não saia por ordem da mãe, ficava trancado, jogando vídeo games. Logo, só sobravam as meninas da rua para fazer companhia ao menino popular durante o dia.
Na escola não era diferente. O menino popular sempre preferiu a companhia das meninas, as brincadeiras das meninas, os papos das meninas. Tinham aqueles meninos com quem ele andava também, até a hora que as meninas o chamavam para brincar, afinal elas precisavam de "maridinhos" e acabava que esses meninos às vezes se divertiam com as meninas brincando de "casinha". Fez duas ótimas amizades nessa época, amizade que dura até hoje, meninas; passaram-se três anos até então. Saiu por dois anos dessa escola e na outra, como de se esperar, mais amizades femininas. Voltou, reencontrou as antigas amigas, fez outra amizade logo de cara, com menina. Aqueles dois meninos ainda existiam, mas não existia essa amizade mais. Dois anos depois mais uma menina se juntou a trupe. Eram cinco agora.
Mas na rua a vida dava novas cartas, aquele seu amigo, aquele considerado como irmão, estava indo embora com o pai. O popular nem entendia que seus pais estavam se separando, ele só entendia que estavam afastando ele de alguém que ele gostava muito. Na verdade, ele até culpou o amigo; só foi compreender as coisas depois de um tempo. Então sobraram as meninas. Eis que nessa época entrou outra para a gangue e o popular se identificou logo, mas ela estava longe de se tornar best friend dele. Lésbica, ela confessou um tempo depois. Eram poucos os tempos que passava com as vizinhas, resumia a finais de semana e férias. Interessante como as coisas mudam em 12 anos, mas ainda tinha muita brincadeira no meio de tudo isso. As férias sempre juntou todos eles.

Outta music, inside of my mind

Quem me ver andando com fones de ouvido, nem imagina o porquê eu realmente os uso. Claro, adoro músicas, elas animam a alma, relaxam o corpo, mas comigo elas têm outra funcionalidade. Fuga do real. Fujo para esse mundo onde os ritmos comandam o meu destino, onde todos dançam e conhecem seu corpo, onde posso cantar as letras bonitas pelas ruas sem que seja considerado um doido. Quando triste, canto para me consolar e todos cantam, todos entendem minha dor e a respeitam; quando estou com medo, só fechar os olhos e então a música afasta os fantasmas tenebrosos. Um mundo mais fácil de viver.
Mas então eu tenho que tirar os fones do ouvido e viver a realidade. Um mundo castigado por uma sociedade cruel, de pessoas egoístas que querem sucesso e para tanto não mede esforços. Um mundo caindo em desgraça, onde o ser humano não entende o significado da palavra que compõe seu nome. Um mundo o qual sacrifícios desnecessários servem para mostrar poder. Onde para se criar um império, é necessário destruir a natureza e que se lasque as gerações futuras; deve ser mais fácil construir uma máquina para manter uma vida, de o quê preservá-la.
É nesse mundo que vivo quando estou fora da música (outta music); onde minha mente começa a funcionar; onde meus problemas vêm a tona; onde não posso gritar; onde nem todo mundo pode me consolar; então só me resta escrever. Longe de ser palavras merecedoras de mérito, mas eis meu blog.